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Do Bérgamo a Botuverá: objetos revelam saga dos primeiros colonizadores

Cultura

Redação 13/02/2026 as 12:26
Do Bérgamo a Botuverá: objetos revelam saga dos primeiros colonizadores
Foto: Dirlei Silva/Rádio Cidade Brusque
Texto Geral

O passado ganha voz, forma e memória dentro do Museu do Imigrante, em Botuverá. Foi para lá que o projeto SC Sobre Rodas, da Rádio Cidade, levou seus ouvintes e internautas em uma reportagem em vídeo conduzida pelo jornalista Dirlei Silva, acompanhado do guia Adilson Favaro. Logo na entrada, o convite já dava o tom da experiência: “O Adilson é o meu guia hoje aqui no Museu do Imigrante. Bora entrar no Museu do Imigrante e conhecer esse trabalho que a Rádio Cidade está fazendo na nossa região.”

Assim que a visita começa, a narrativa mistura as falas do repórter e do guia, criando uma condução dinâmica e didática pela história local. O espaço reúne mais de 1.500 peças originais, entre fotografias, mobílias e objetos pessoais que testemunham a rotina dos primeiros colonizadores. Logo no painel inicial, a linha do tempo relembra que Botuverá já foi distrito de Brusque. Tornou-se município em 9 de junho de 1962, desmembrando-se de Brusque. Sua instalação ocorreu no mesmo ano. Até 1º de julho de 1950, Botuverá era denominado Porto Franco. Ali também aparecem imagens dos primeiros imigrantes italianos e sobrenomes que permanecem presentes na comunidade até hoje, como Raimundi, Bettinelli, Pedrini, Genesini, Tomil, Molinari, Rampelotti e Dognini.

Entre os registros históricos, chama atenção o quadro do primeiro coral local, o Coral Giuseppe Verdi, e, logo na entrada, um elegante carro de mola, carruagem típica das décadas de 1950 e 60. Próximos dali estão arados de tração animal feitos em ferro fundido, todos originais e utilizados pelos colonos. Malas antigas de vários tamanhos reforçam o simbolismo da imigração: cada uma representa sonhos e histórias de famílias vindas da região de Bérgamo, Lombardia no norte da Itália. “Cada peça dessa aqui conta a vida de alguém, um pedaço da história”, comenta o jornalista.

As placas explicativas do acervo trazem bandeiras do Brasil e da Itália, mas o idioma utilizado é o bergamasco, dialeto típico dos imigrantes que colonizaram a região. Entre os itens mais curiosos está um equipamento usado no ciclo do ouro em Botuverá: uma espécie de calha de madeira colocada nos ribeirões para separar o minério, evidenciando que a região já viveu períodos de exploração mineral e circulação de riqueza.

Em um espaço envidraçado, outro objeto chama atenção: uma espada que pertenceu a um soldado da Guerra do Contestado, doada ao museu pelo ex-prefeito, já falecido Zenor Sgrott. No mesmo local, placas antigas de carroças revelam um dado curioso: antigamente, esses veículos eram registrados e tributados pelas prefeituras, um registro datado de 1966 comprova a prática.

Segundo Adilson Favaro, a localização do museu contribui para atrair visitantes. “A vantagem de estar junto com a caverna é que o pessoal vem por causa dela e acaba conhecendo o museu também”, explica, referindo-se às famosas grutas do parque municipal.

Entre as relíquias internas, um guarda-roupa de 1896, a peça mais antiga do acervo,  impressiona pela conservação. Já na área externa, o visitante encontra uma extensão viva da história: estruturas que simulam fornos de calcário, casas de madeira reconstruídas conforme os padrões dos colonos e equipamentos movidos à energia hídrica, demonstrando a engenhosidade dos imigrantes italianos.

O guia detalha o funcionamento de um dos fornos: construído na década de 1950, ele queimava pedras calcárias durante cerca de 75 horas. Antes da descoberta das cavernas da região, a extração envolvia explosivos nas montanhas próximas,  prática posteriormente proibida para preservação ambiental.

A visita termina, com a sensação de que cada canto do espaço respira história. Situado no Parque Municipal das Grutas, na localidade de Ourinho, o Museu do Imigrante preserva a memória da colonização italiana, especialmente da região de Bérgamo, e se consolida como ponto essencial para compreender a formação cultural e econômica de Botuverá.

O local está aberto à visitação:
De terça a domingo
8h às 17h (primavera e verão)
8h às 16h (outono e inverno)
(Segunda-feira: fechado para manutenção.)

Ingresso Normal Adulto: R$ 30,00 Estudantes com apresentação de carteirinha: R$ 15,00 Crianças de 4 a 12 anos: R$ 15,00 Melhor Idade (acima de 60 anos): R$ 15,00 Aluguel de calçados e meias: R$ 5,00


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